A Comunhão dos Primeiros Cristãos

"Não havia, pois, entre eles necessitado algum" (At 4.34). Essa passagem faz lembrar o começo da nação de Israel quando os hebreus saíram do Egito (Êx 12.35, 36). Todos saíram do Egito mais ou menos na mesma situação financeira, e Deus proveu os meios para que o povo pudesse sobreviver à peregrinação no deserto, rumo à Terra Prometida. Era um novo começo. Uma nova nação despontava no horizonte. O mesmo aconteceu com a Igreja Primitiva: "E repartia-se cada um, segundo a necessidade que cada um tinha" (At 4.35). A graça de Deus era sobre os crentes, de modo que eram vistos com respeito pelo povo.            

Barnabé é um nome aramaico que significa "filho da consolação", era levita e natural de Chipre, ilha grega do Mediterrâneo. Ele vendeu suas propriedades e levou o dinheiro para os apóstolos. A generosidade dele juntamente com os demais discípulos era algo admirável. Ele destacou-se; por isso Lucas o citou nominalmente. Hoje há expositores que criticam essa atitude, porque a Igreja de Jerusalém veio padecer necessidade posteriormente, de tal forma que foi necessário o apóstolo Paulo levantar fundos nas igrejas gentias para suprir os irmãos pobres de Jerusalém (Rm 15.25-27).

Não devemos rejeitar a atitude desses irmãos, considerando como precipitação boba e equivocada, motivada pela expectativa da vinda iminente de Cristo, dando assim origem a uma pobreza que, depois, levou o apóstolo Paulo angariar fundos para remediar tal situação. Lucas não nos dá a entender nenhuma interpretação dessa natureza. Isso foi necessário para a sobrevivência da Igreja de Jerusalém, pois estava começando, e a pobreza do povo era extrema. Com esses recursos a Igreja era suprida, e assim era possível assistir o pobre que se convertia a Jesus.            

Pelo fato de ser uma ação voluntária, mostra que não devemos dizer que isso seja uma doutrina a ser seguida pelas igrejas cheias do Espírito Santo. A venda de propriedades, trazendo o valor, "depositando aos pés dos apóstolos" (hebraísmo que significa confiar aos apóstolos) era algo voluntário (At 5.4).       

O que devemos fazer é estudar e procurar imitar a generosidade e o cuidado pelos necessitados, "somente para que em ti não haja pobre" (Dt 15.4). Infelizmente há igrejas que não atentam para esse lado social da igreja. O apóstolo Paulo ensina que quem dá ao pobre Deus multiplica sua sementeira (2 Co 9.9,10).